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As Injustiças Sociais, um problema moral!

            
Ao longo da historia das civilizações, a humanidade tem coexistido com o problema das injustiças sociais. Como antítese dos ideais para uma sociedade livre, justa e igualitária, a realidade estratificada da pobreza e da miséria, bem como das desigualdades sociais, das explorações e da deslealdade – temas criticados pelo próprio homem - demonstra claramente que o problema das injustiças sociais que o ser humano enfrenta vai muito além de uma simples questão social, é um problema moral.

Como um ser moral, o ser humano tem consciência do que é verdadeiro, justo e bom, e seus opostos, e é compelido a agir em conformidade com esta consciência, fazendo as escolhas certas e duradouras. É o principio da universalidade da verdade e da moral, como Agostinho explica: “é preciso viver conforme a justiça, subordinar as coisas menos boas às melhores; comparar entre si as semelhantes; e dar a cada um o que lhe é devido. Não concordarás que tudo isso é muito verdadeiro e apresenta-se universalmente à minha disposição como a tua, e a todos aqueles que o considerarem?[Agostinho, O Livre Arbítrio]”. Para Agostinho, a verdade metafísica é um valor absoluto e universal, estando à disposição da mente humana, norteando suas ações e seus comportamentos.

Assim, a verdade é o principal agente para a formação de valores éticos individuais e sociais, resultando assim na construção de uma sociedade humana e justa. Entende-se por justiça (do latim “jus”, direito, equidade) a prerrogativa de agir corretamente, em conformidade com o direito, visando alcançar a harmonia nas relações sociais, e a verdade, por sua vez, é o fundamento básico para a construção e o desenvolvimento da justiça social. A justiça fica comprometida quando a verdade é comprometida. Seguindo este raciocínio, fica provado que a prática de injustiças sociais está diretamente ligada à dissolução dos valores morais e, sobretudo, ao descaso e abandono deliberado e persistente da verdade.

Na teologia bíblica, o homem abandona a verdade por causa da sua condição de pecado. Ele se encontra corrompido moralmente e, assim, rejeita a verdade. A Bíblia afirma que Deus criou o homem segundo sua imagem e semelhança, um ser moral e perfeito em santidade e justiça. O homem vivia em plena e perfeita harmonia com Deus, com o próximo e com a natureza. Não havia sentimento egocêntrico nem de exclusão, mas de puro amor e altruísmo. No entanto, a história de gênesis nos conta que o homem, num ato de rebeldia e insatisfação com a provisão de Deus e Sua vontade, peca contra o Senhor, afastando-se de sua verdade. As consequências desta transgressão foram uma tripla alienação – alienação espiritual, alienação individual e alienação social. Alienado espiritualmente de Deus, fonte de toda graça e verdade, o ser humano se torna estranho a si mesmo e a seu próximo, passando a ser regido pelo egoísmo e pela indiferença social, e se comportando de forma antagônica à natureza justa e boa de Deus, praticando toda sorte de imoralidade e injustiça social.

As injustiças sociais são então os efeitos de um condição de queda, que o homem se encontra. Sendo assim, o único remédio e, ao mesmo tempo, a cura é a redenção. O Cristo Redentor oferece a cura para as injustiças, sofrendo em si mesmo a injustiça, a fim de nos libertar de uma vida injusta. A redenção não nos faz pessoas sem pecado, mas nos cura dos efeitos noéticos causados pelo pecado. A redenção é o caminho pelo qual Deus restaura o homem à sua comunhão com Deus, onde nesta comunhão, tudo que é bom, belo, verdadeiro, e sobretudo justo, se torna sua alegria, satisfação e realização.

Poderíamos muito falar da cura para as injustiças sociais oferecendo respostas concretas como a justa distribuição de renda, a educação de qualidade, a igualdade de oportunidades, a erradicação dos preconceitos, o combate a corrupção, etc., no entanto, sabemos que isso seria apena a cura dos sintomas e não da doença. O mal continuaria ali, e logo logo veríamos outras formas de injustiças surgirem. É claro que a busca pela justiça verdadeira busca o bem de todos e não coexiste com as desigualdades e discriminações. Mas não podemos nos iludir pensando que a e cura de um sintoma é a cura da doença toda. Os sinais externos são reais e devem ser combatidos, mas devemos entender que eles apontam para uma causa única – a questão moral.

Jesus é a redenção para o homem viver a justiça de Deus, porque Ele é “justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26 ARA). Ele redime o homem começando em seu coração, de onde procedem as fontes da vida, e onde é a sede da moralidade (Pv. 4:23). E assim, o homem, feito justo diante de Deus em Cristo Jesus, tem seu coração cheio, não de comida ou bebida, mas do reino de Deus que é “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17 ARA). O justificado em Cristo não se vende, pois para ele “Melhor é o pouco, havendo justiça, do que grandes rendimentos com injustiça” (Pv 16:8 ARA). Ele tem prazer na justiça e na verdade e por isso é feliz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5:6 ARA).

Agora, vamos parar de combater os sintomas, vamos combater a raiz do problema! E você sabe por onde começar - seu coração!!!

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Rogério J. Ribeiro......................................... disse...

Perfeito... Uma visão abrangente surgiu em mim.

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